Fora Furão
Olha a Lu de carro do pomar. Ela estava saindo quando
encontrou o Pen Duick e ficaram batendo um papo, eu acho. Na caçamba fechada tem
três caixas com 45 quilos de frutas que ela ajudou a recolher do chão, caídas à
sombra das copas de minhas árvores. Foi a primeira coleta de colegas atacadas
por uma mariposa sacana, que fura a casca e coloca ali um ovo que se transforma
em uma larva dentro dos gomos, nos enfraquece e caímos.
A mariposa é pequena, menos de um centímetro, mas faz um
estrago danado. Aqui não muito, quase nada na verdade, por que eles estão
sempre de olho e nos tratam logo.
Ela tem um nome pomposo, Gymnandrosoma aurantianum, mas o apelido
mesmo é Bicho Furão.
Na maioria dos pomares os donos enchem as árvores de veneno,
nos intoxicam, intoxicam quem aplica o veneno e quem come a fruta. Uma
sacanagem em cadeia.
Mas aqui não é assim, eu sei. Sei que logo, já no amanhecer,
talvez, nós vamos ser tratadas com carinho e respeito. Como quem toma um banho
com lavandas, vamos receber nosso amigo Bacilus Turigienses, que como o nome
diz, é um ser vivo chamado para a luta e que vai evitar que o Furão coloque
seus ovos aqui.
Lá por quarta-feira vamos receber mais um banho de óleo de neem,
feito com extrato de uma planta que não me faz mal algum, mas interfere no
sistema reprodutivo da mariposa, evitando que ela tenha mais ovos para colocar
em nós.
E assim sigo, amadurecendo feliz e bem tratada.

