domingo, 19 de maio de 2019

Fora Furão



Olha a Lu de carro do pomar. Ela estava saindo quando encontrou o Pen Duick e ficaram batendo um papo, eu acho. Na caçamba fechada tem três caixas com 45 quilos de frutas que ela ajudou a recolher do chão, caídas à sombra das copas de minhas árvores. Foi a primeira coleta de colegas atacadas por uma mariposa sacana, que fura a casca e coloca ali um ovo que se transforma em uma larva dentro dos gomos, nos enfraquece e caímos.

A mariposa é pequena, menos de um centímetro, mas faz um estrago danado. Aqui não muito, quase nada na verdade, por que eles estão sempre de olho e nos tratam logo.

Ela tem um nome pomposo, Gymnandrosoma aurantianum, mas o apelido mesmo é Bicho Furão.

Na maioria dos pomares os donos enchem as árvores de veneno, nos intoxicam, intoxicam quem aplica o veneno e quem come a fruta. Uma sacanagem em cadeia.

Mas aqui não é assim, eu sei. Sei que logo, já no amanhecer, talvez, nós vamos ser tratadas com carinho e respeito. Como quem toma um banho com lavandas, vamos receber nosso amigo Bacilus Turigienses, que como o nome diz, é um ser vivo chamado para a luta e que vai evitar que o Furão coloque seus ovos aqui.

Lá por quarta-feira vamos receber mais um banho de óleo de neem, feito com extrato de uma planta que não me faz mal algum, mas interfere no sistema reprodutivo da mariposa, evitando que ela tenha mais ovos para colocar em nós.

E assim sigo, amadurecendo feliz e bem tratada.

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