quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Hoje o dia foi poda

Inicio da poda para a safra 2017 

Hoje, 25 de agosto, a lua entra em sua fase minguante. Quem tem céu limpo para olhar e ficar até mais tarde, verá apenas a metade do satélite natural da terra. Daqui uma semana, dia 1º de setembro, ela estará totalmente escondida pela sombra do planeta, para recomeçar a aparecer, como um fiapo unha cortada, na noite seguinte.

É um momento em que a lua exerce pouca força de atração sobre as coisas da terra. Dias e noites em que seiva das árvores tendem a descer para as raízes, com menor concentração nas folhas, flores e frutos. Os cortes cicatrizam mais rápido e, com pouca seiva, poucos insetos.

Todo ano, após a colheita, os pomares de citros passam por uma poda suave, nada de grandes desbastes, isto já aconteceu quando as árvores estavam com três anos. Naquele momento, os cortes foram para dar forma às copas e para deixá-las num formato que facilitará a vida de quem vai colher as frutas quando elas estiverem com a sua altura máxima, que deve chegar aos quatro metros.
As árvores recebem o carinho da Lu.
A poda que começou hoje e que deve se estender até a metade da semana que vem é suave, quase um carinho para as árvores que já estão repletas de botões de flores. A intenção é arejar a planta, permitir que o vento e o sol cumpram as suas missões de secar o interior das copas após noites de sereno e temporadas de chuvas. Isto diminui a criação e proliferação de fungos, parasitas e colônias de insetos que gostam do ambiente úmido e, caso não fujam do controle, danificam seriamente as árvores e comprometem a qualidade das frutas.
Se o meu olhar atravessa a copa da árvore, o sol e o vento também passam por aqui 

Começamos pelo pomar aqui ao lado da casa, o que tem as primeiras 400 árvores de clemenules, plantado em 2011. O pomar mais jovem, também com 400 árvores, deverá ser podado no começo da próxima semana e, na sequência, os 70 pés de limão siciliano, as 100 árvores de tangerina okitsu, as laranjas rubi e as pokan. Parte dos galhos e as folhas podadas serão incorporadas em adubos orgânicos e se tornarão matéria seca para cobertura de hortas.
Não vai para o lixo
Passada a fase da poda os pomares receberão os tratamentos fitoterápicos, as correções de solo e as adubações. Depois ainda virão os dois raleios, tudo para que as frutas que serão colhidas no próximo inverno estejam lindas, saborosas e saudáveis.

domingo, 5 de junho de 2016

Minha amiga tagets erecta


É pomposo o nome que os cientistas deram para esta flor linda, quase da minha cor, e que está espalhada entre as árvores do pomar onde estou plantada: tagets erecta.

Os homens comuns a chamam de cravo de defunto e outros menos populares. E tem um bom motivo para este nome fúnebre, que em muitos humanos pode até causar repulsa. Mas repulsa mesmo ela causa é em muitos e muitos bichinhos que gostam do meu sabor, do gostinho das folhas de minhas árvores e que não fazem nada bem para a minha saúde.

Dizem que o apelido de “cravo de defunto” tem origem no fato de ela ter sido muito usada nos velórios de homens e mulheres, para espantar as moscas que apareciam quando os corpos eram velados por muito tempo.

E como espanta. Não só as moscas, mas outros bichinhos também. Com elas aqui por perto, me sinto bem à vontade, pois desde que elas começaram a florir ao meu redor, praticamente desapareceram as moscas de fruta, os pulgões, as formigas, as colchonilhas e as larvas minadoras que atormentam minha vida.

Esta plantinha maravilhosa tem origem no México, mas está espalhada pelos quatro cantos do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ela ajudou a reavivar pomares de videiras que muitos consideravam perdidos pelo ataque de pragas nas raízes de plantas de idade avançada. Na internet é possível encontrar receitas de chás feitos com as flores e as folhas, que os autores das postagens dizem que combate os efeitos da dengue.

As flores que estão no pomar ao meu redor chegaram aqui bem pequeninas, trazidas da estufa de Pedras Rollantes, onde foram plantadas em ambiente protegido e com todo o cuidado. Eles chamam isto de agroecologia, algo um pouco além da agricultura orgânica.

Bom né?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Poucas, mas boas



Já se passaram oito meses e meio desde que eu escrevi neste blog pela última vez. Foi na véspera da primavera do ano passado, quando mostrei um vídeo com a chuva sobre as árvores que me geram. Muita coisa aconteceu desde então, e confesso, não foram coisas boas não.

Naquele post eu já reclamava por ser o terceiro dia de chuva e que a quantidade de água, somente naqueles dias, era equivalente a tudo o deveria chover nesta região por um mês inteiro.

Pois a chuva continuou e nos trinta dias seguintes choveu 730 milímetros por metro quadrado, nada mais, nada menos, do que pouco mais de cinco vezes o que deveria ter chovido. E esta água toda provocou um estrago incalculável nos meus pomares e nos de muitas outras variedades de frutas, em todos os lugares em que choveu tanto assim.

Era primavera, época em que minhas árvores ficam garbosas de tanta flor, que muitas frutinhas começam a aparecer, minúsculas, ainda grudadas em pendúculos enormes. Momento em que preciso de água e sol. Água para irrigar e me fazer crescer e sol para secar a umidade que nos meus galhos, minhas folhas e permitir que aconteça a mágica da fotossíntese. E como todo remédio em excesso é veneno, a água em demasia naqueles meses molhados da primavera, permitiu que colônias de fungos se alojassem entre as pétalas de minhas flores, provocando a queda de muitas delas e o apodrecimento de tantas outras.

Nós, as poucas que sobramos, estamos saudáveis e deliciosas, como sempre, mas, de cada dez irmãs esperadas, perdi pelo menos oito. Os que cuidam de mim estão chateados, muito chateados mesmo, e eu os entendo. Também estou. Para eles é uma questão econômica, pois dizem que a quebra da safra é grande demais e não vão conseguir recuperar nem metade do que investiram para nos fazer bonitas e saborosas. Para mim é também uma questão de vaidade. É triste ver a árvore aqui ao lado sem nenhuma irmã em seus galhos, é lamentável não enxergar este pomar com aquele lindo colorido dos anos anteriores.

Mas tudo bem, bola prá frente.

Somos poucas, eu sei, mas somos boas, e estamos ansiosas para que comece logo a colheita. E desta vez será diferente, diferente e interessante. Como somos poucas, este ano não iremos para as gôndolas dos mercados de orgânicos, feiras e supermercados, coisa que adoro. Este ano serei colhida por quem vai me saborear. E eu amo isto. A festa começa a acontecer já neste fim de semana que se aproxima, na forma de Colhe e Paga.



O do ano passado foi bem legal e este ano promete ser melhor ainda. É que agora, com o Café no Sítio Pedras Rollantes rolando aqui do meu ladinho, todo final de semana terá Colhe e Paga.

Apareçam!

Os que ainda não me conhecem, convido para dar uma passeada por este blog. Eu me apresento nas primeiras postagens, as de maio, que podem ser vistas clicando diretamente aqui