domingo, 5 de junho de 2016

Minha amiga tagets erecta


É pomposo o nome que os cientistas deram para esta flor linda, quase da minha cor, e que está espalhada entre as árvores do pomar onde estou plantada: tagets erecta.

Os homens comuns a chamam de cravo de defunto e outros menos populares. E tem um bom motivo para este nome fúnebre, que em muitos humanos pode até causar repulsa. Mas repulsa mesmo ela causa é em muitos e muitos bichinhos que gostam do meu sabor, do gostinho das folhas de minhas árvores e que não fazem nada bem para a minha saúde.

Dizem que o apelido de “cravo de defunto” tem origem no fato de ela ter sido muito usada nos velórios de homens e mulheres, para espantar as moscas que apareciam quando os corpos eram velados por muito tempo.

E como espanta. Não só as moscas, mas outros bichinhos também. Com elas aqui por perto, me sinto bem à vontade, pois desde que elas começaram a florir ao meu redor, praticamente desapareceram as moscas de fruta, os pulgões, as formigas, as colchonilhas e as larvas minadoras que atormentam minha vida.

Esta plantinha maravilhosa tem origem no México, mas está espalhada pelos quatro cantos do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ela ajudou a reavivar pomares de videiras que muitos consideravam perdidos pelo ataque de pragas nas raízes de plantas de idade avançada. Na internet é possível encontrar receitas de chás feitos com as flores e as folhas, que os autores das postagens dizem que combate os efeitos da dengue.

As flores que estão no pomar ao meu redor chegaram aqui bem pequeninas, trazidas da estufa de Pedras Rollantes, onde foram plantadas em ambiente protegido e com todo o cuidado. Eles chamam isto de agroecologia, algo um pouco além da agricultura orgânica.

Bom né?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Poucas, mas boas



Já se passaram oito meses e meio desde que eu escrevi neste blog pela última vez. Foi na véspera da primavera do ano passado, quando mostrei um vídeo com a chuva sobre as árvores que me geram. Muita coisa aconteceu desde então, e confesso, não foram coisas boas não.

Naquele post eu já reclamava por ser o terceiro dia de chuva e que a quantidade de água, somente naqueles dias, era equivalente a tudo o deveria chover nesta região por um mês inteiro.

Pois a chuva continuou e nos trinta dias seguintes choveu 730 milímetros por metro quadrado, nada mais, nada menos, do que pouco mais de cinco vezes o que deveria ter chovido. E esta água toda provocou um estrago incalculável nos meus pomares e nos de muitas outras variedades de frutas, em todos os lugares em que choveu tanto assim.

Era primavera, época em que minhas árvores ficam garbosas de tanta flor, que muitas frutinhas começam a aparecer, minúsculas, ainda grudadas em pendúculos enormes. Momento em que preciso de água e sol. Água para irrigar e me fazer crescer e sol para secar a umidade que nos meus galhos, minhas folhas e permitir que aconteça a mágica da fotossíntese. E como todo remédio em excesso é veneno, a água em demasia naqueles meses molhados da primavera, permitiu que colônias de fungos se alojassem entre as pétalas de minhas flores, provocando a queda de muitas delas e o apodrecimento de tantas outras.

Nós, as poucas que sobramos, estamos saudáveis e deliciosas, como sempre, mas, de cada dez irmãs esperadas, perdi pelo menos oito. Os que cuidam de mim estão chateados, muito chateados mesmo, e eu os entendo. Também estou. Para eles é uma questão econômica, pois dizem que a quebra da safra é grande demais e não vão conseguir recuperar nem metade do que investiram para nos fazer bonitas e saborosas. Para mim é também uma questão de vaidade. É triste ver a árvore aqui ao lado sem nenhuma irmã em seus galhos, é lamentável não enxergar este pomar com aquele lindo colorido dos anos anteriores.

Mas tudo bem, bola prá frente.

Somos poucas, eu sei, mas somos boas, e estamos ansiosas para que comece logo a colheita. E desta vez será diferente, diferente e interessante. Como somos poucas, este ano não iremos para as gôndolas dos mercados de orgânicos, feiras e supermercados, coisa que adoro. Este ano serei colhida por quem vai me saborear. E eu amo isto. A festa começa a acontecer já neste fim de semana que se aproxima, na forma de Colhe e Paga.



O do ano passado foi bem legal e este ano promete ser melhor ainda. É que agora, com o Café no Sítio Pedras Rollantes rolando aqui do meu ladinho, todo final de semana terá Colhe e Paga.

Apareçam!

Os que ainda não me conhecem, convido para dar uma passeada por este blog. Eu me apresento nas primeiras postagens, as de maio, que podem ser vistas clicando diretamente aqui