É pomposo o nome que os cientistas deram para esta flor
linda, quase da minha cor, e que está espalhada entre as árvores do pomar onde
estou plantada: tagets erecta.
Os homens comuns a chamam de cravo de defunto e outros menos
populares. E tem um bom motivo para este nome fúnebre, que em muitos humanos pode
até causar repulsa. Mas repulsa mesmo ela causa é em muitos e muitos bichinhos
que gostam do meu sabor, do gostinho das folhas de minhas árvores e que não
fazem nada bem para a minha saúde.
Dizem que o apelido de “cravo de defunto” tem origem no fato
de ela ter sido muito usada nos velórios de homens e mulheres, para espantar as
moscas que apareciam quando os corpos eram velados por muito tempo.
E como espanta. Não só as moscas, mas outros bichinhos
também. Com elas aqui por perto, me sinto bem à vontade, pois desde que elas
começaram a florir ao meu redor, praticamente desapareceram as moscas de fruta,
os pulgões, as formigas, as colchonilhas e as larvas minadoras que atormentam minha
vida.
Esta plantinha maravilhosa tem origem no México, mas está
espalhada pelos quatro cantos do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, ela
ajudou a reavivar pomares de videiras que muitos consideravam perdidos pelo
ataque de pragas nas raízes de plantas de idade avançada. Na internet é
possível encontrar receitas de chás feitos com as flores e as folhas, que os
autores das postagens dizem que combate os efeitos da dengue.
As flores que estão no pomar ao meu redor chegaram aqui bem
pequeninas, trazidas da estufa de Pedras Rollantes, onde foram plantadas em ambiente
protegido e com todo o cuidado. Eles chamam isto de agroecologia, algo um pouco
além da agricultura orgânica.
Bom né?


