Já se passaram oito meses e meio desde que eu escrevi neste
blog pela última vez. Foi na véspera da primavera do ano passado, quando
mostrei um vídeo com a chuva sobre as árvores que me geram. Muita coisa
aconteceu desde então, e confesso, não foram coisas boas não.
Naquele post eu já reclamava por ser o terceiro dia
de chuva e que a quantidade de água, somente naqueles dias, era equivalente a tudo
o deveria chover nesta região por um mês inteiro.
Pois a chuva continuou e nos trinta dias seguintes choveu 730
milímetros por metro quadrado, nada mais, nada menos, do que pouco mais de cinco
vezes o que deveria ter chovido. E esta água toda provocou um estrago
incalculável nos meus pomares e nos de muitas outras variedades de frutas, em
todos os lugares em que choveu tanto assim.
Era primavera, época em que minhas árvores ficam garbosas de
tanta flor, que muitas frutinhas começam a aparecer, minúsculas, ainda grudadas
em pendúculos enormes. Momento em que preciso de água e sol. Água para irrigar e
me fazer crescer e sol para secar a umidade que nos meus galhos, minhas folhas
e permitir que aconteça a mágica da fotossíntese. E como todo remédio em excesso
é veneno, a água em demasia naqueles meses molhados da primavera,
permitiu que colônias de fungos se alojassem entre as pétalas de minhas flores,
provocando a queda de muitas delas e o apodrecimento de tantas outras.
Nós, as poucas que sobramos, estamos saudáveis e deliciosas,
como sempre, mas, de cada dez irmãs esperadas, perdi pelo menos oito. Os que
cuidam de mim estão chateados, muito chateados mesmo, e eu os entendo. Também
estou. Para eles é uma questão econômica, pois dizem que a quebra da safra é
grande demais e não vão conseguir recuperar nem metade do que investiram para nos
fazer bonitas e saborosas. Para mim é também uma questão de vaidade. É triste
ver a árvore aqui ao lado sem nenhuma irmã em seus galhos, é lamentável não
enxergar este pomar com aquele lindo colorido dos anos anteriores.
Mas tudo bem, bola prá frente.
Somos poucas, eu sei, mas somos boas, e estamos ansiosas para
que comece logo a colheita. E desta vez será diferente, diferente e interessante.
Como somos poucas, este ano não iremos para as gôndolas dos mercados de orgânicos,
feiras e supermercados, coisa que adoro. Este ano serei colhida por quem vai me
saborear. E eu amo isto. A festa começa a acontecer já neste fim de semana que
se aproxima, na forma de Colhe e Paga.
O do ano passado foi bem legal e este ano promete ser
melhor ainda. É que agora, com o Café no Sítio Pedras Rollantes rolando aqui do
meu ladinho, todo final de semana terá Colhe e Paga.
Apareçam!
Os que ainda não me conhecem, convido para dar uma passeada
por este blog. Eu me apresento nas primeiras postagens, as de maio, que podem
ser vistas clicando diretamente aqui.


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